quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Lição 2 - Noé, o milagre do livramento e da cura.

LIÇÃO 02 – “Noé, o milagre do livramento e da cura”
12 de outubro de 2014
TEXTO ÁUREO
“Assim foi destruído todo o ser vivente que havia sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; e foram extintos da terra; e ficou somente Noé, e os que com ele estavam na arca” Gn 7.23
VERDADE APLICADA
Livramento e cura são dois aspectos pertinentes a salvação, uma graça exclusiva oferecida por Deus aos seus filhos.
OBJETIVOS DA LIÇÃO
1. Demonstrar a importância de sermos um milagre de Deus para a nossa geração;
2. Apresentar a necessidade de trabalharmos naquilo que Deus nos fala para a nossa salvação;
3. Mostrar o valor da salvação conferida pela graça de Deus para todos os que creem.

Textos de referência
Gn 6.5-7, 17
5  E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.
6  Então, arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração.
7  E disse o SENHOR: Destruirei, de sobre a face da terra, o homem que criei, desde o homem até ao animal, até ao réptil e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito.
17  Porque eis que eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, para desfazer toda carne em que espírito de vida debaixo dos céus: tudo o que há na terra expirará.

INTRODUÇÃO
Diante de uma sociedade perversa e corrompida, Noé achou graça diante de Deus, e foi escolhido juntamente com sua família para se tornar o salvador de seu tempo. Sua missão era construir uma arca, anunciar um dilúvio, e preparar-se para o dia final.
1. Noé, o milagre do livramento
Nos dias de Noé a corrupção humana chegou a tal ponto que o Senhor se entristeceu de ter feito o homem (Gn 6.6). Salvar os justos e reiniciar uma nova civilização foi o único meio que Deus encontrou para aquele mundo imperdoável.
1.1 A corrupção generalizada daqueles dias
A época de Noé foi marcada por grandes avanços, o que contraria o pensamento de muitos que veem aquela civilização como primitiva e recém-saída das “cavernas”.
Havia trabalhos como o cultivo de sementes e armazenamento de colheitas, e o pastoreio de vários tipos de animais eram coisas comuns. Porém veio a construção de grandes cidades, a descoberta da metalurgia, a música e a ciência da guerra, pois havia famosos valentes da antiguidade (Gn 6.4b).
Estes tais são responsáveis pela grande corrupção, pois, a mistura da linhagem piedosa com a impiedosa levou a corrupção que houve naquele período. Deus criou o homem bom e perfeito, isso significa que ele trouxe uma lei em seu coração, mas o pecado se incrustou de tal forma na vida humana que Deus não teve outro jeito a não ser destruir aquela sociedade impiedosa (Gn 6.5-7).
1.2  O juízo de Deus para o fim daquela sociedade
Toda terra foi invadida por uma onda de maldade tão grande que incomodou os céus. A alma humana ficou tão contaminada que tudo quanto pensava refletia egoísmo, violência desmedida, e desprezo às coisas de Deus.
Cremos que deus não permitiu tais coisas continuassem, porque certamente iriam comprometer o plano messiânico da redenção, aliás, esse era o verdadeiro propósito de Satanás, impedir a vinda do Messias. A maldade foi tanta que até mesmo os animais foram afetados, por isso, disse Deus: “Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até o animal, até o réptil, e até ave dos céus” (Gn 6.7). Então, o fim daquela geração foi marcado pelo juízo Divino através de um dilúvio universal que seria o único remédio para aquela situação.
1.3  Noé, o homem com quem Deus contou
De toda aquela geração, o único justo encontrado por Deus foi Noé (Ez 14.14). Ao contrário de Moisés, Elias e do Senhor Jesus, Noé não fez milagres, ele foi o milagre em pessoa. Numa época em que a inversão de valores se tornou comum, o certo era o errado, e qualquer que fizesse o contrário era humilhado e ridicularizado, podemos dizer que Noé foi um milagre por inteiro (Gn 6.9). Deus pôde contar com esse homem, ele não falhou, foi honrado o suficiente para ir contra a correnteza da maldade, perseverando em fazer a vontade de Deus. Àqueles que defendem que a linhagem de Sete era santa, veem aqui um fator crítico, visto que ela também se perdeu em meio a corrupção. Noé, porém, conservava a sua piedade e integridade, influenciava a sua família, tornando-se assim, um milagre extraordinário de liderança (Gn 6.8).

2. Os trabalhos de Nóe em prol da salvação
Não devemos pensar que somente a justiça de Noé lhe salvaria juntamente com sua família. Sua fé deveria ser acrescida de obras, ou seja, ele precisava trabalhar por sua salvação e garantir a vida de tudo quanto Deus lhe confiou (Hb 11.7; Tg 2.14-18).
2.1 Noé recebe instruções
Noé jamais coxeou entre dois pensamentos, ele sempre esteve atento ao que Deus lhe falou, e trabalhou para que a vontade de deus se cumprisse, renunciando aos seus prazeres e se tornando inimigo dos maus feitores (Tg 4.4). O registro do Gênesis é tão impressionante que demonstra que Noé foi capaz de ouvir não apenas a voz de deus, mas também foi hábil em atende-la. Noé ouviu da parte de Deus instruções precisas de como construir uma arca capaz de salvar a sua família, animais e algum outro ser humano que estivesse disposto a crer nesse tipo de salvação. Para ouvir a voz de Deus devemos, primeiramente, sufocar outras vozes como: a voz do nosso coração que sempre gosta de se acomodar ao pecado; as vozes da sociedade afastada de Deus. Essas vozes contrárias à vontade de Cristo ganham o mundo, porém, perdem a eterna salvação (Mc 8.36).
2.2 Noé executa diligentemente às ordens de Deus
Noé recebeu ordens cuja obediência representava: a salvação da raça humana; a de diversos animais e também do plano Divino em relação ao Messias. Essa salvação consistiu em obedecer detalhes minuciosos da construção da arca como: acolhimento dos animais; a provisão de viveres para sua família e animais, e por fim, a ordem de Deus para entrar na arca (Gn 6.22; 7.5). Embora fosse Noé o construtor da arca, a salvação foi um ato da Graça Divina que se consolidou através de sua completa submissão (Gn 6.8). E aqui cumpre ressaltar essa diligência que é tão aclamada pelo senhor no sermão profético: cinco virgens prudentes; dos três servos, somente dois foram fiéis em relação aos talentos a eles confiados pelo seu senhor; e finalmente, as nações fiéis que serão tratadas como ovelhas na sua vinda (Mt 25.1-46).
2.3 Noé, o pregoeiro da justiça
Entre os vários aspectos da integridade de Noé em seus dias, a Escritura o declara como um pregoeiro da justiça (2Pe 2.5). Ele denunciava que Deus iria trazer o dilúvio sobre aquele mundo, e sobre todos aqueles que desprezassem a oportunidade.
Isso se daria, porque de acordo com as palavras de Jesus os homens comiam, bebiam, casavam e se davam em casamento o que traduz com perfeição a palavra “ímpio” ou irreligioso. A postura de Noé como pregador indica a nossa responsabilidade e compromisso em anunciar o juízo de Deus (2Tim 4.1-5).

3. Noé e o valor da salvação alcançada por ele
A arca é uma imagem luminosa de nossa salvação em Cristo (1Pe 3.18-22).
Jesus falou que muitos estariam desatentos para esse evento, e que Ele viria de forma inesperada, como um ladrão. Noé já estava na arca quando veio o dilúvio, e nós onde estaremos? Será que sabemos o valor desse dia?
3.1 O valor do livramento
Assim que vieram as águas do dilúvio Noé e sua família estavam seguros dentro da arca. A arca foi o lugar idealizado por Deus para o escape na hora do juízo. Noé alcançou essa grandiosa salvação através da sua fé, ele vivia numa terra árida e seca onde a chuva parecia ser uma piada de mau gosto. Enquanto todos viviam despreocupados e zombando, veio o dilúvio e consumiu a todos. O mais interessante é que a mesma arca que livra também condena. O tempo se aproxima, Jesus está às portas, e devemos estar atentos porque como as virgens, muitos estão com as lamparinas se apagando e dormem acomodados desperdiçando a oportunidade de comprar azeite (Mt 25.7-10).
3.2 O valor da cura
A salvação das águas do dilúvio significou a eliminação de toda uma civilização. Se fosse nos dias de hoje seria a eliminação de oito bilhões de pessoas, e aí muitos pensam: Como Deus foi capaz de condenar tantos assim? Seriam todos culpados de fato? Não podemos jamais esquecer que Deus é amor; mas também é justiça e juízo (Dt 4.24; Hb 12.29). No modo de Deus agir, as águas do dilúvio, lavaria a humanidade, que totalmente suja pelo pecado, apenas manchava o mundo que Ele criou. Todavia, em meio à sujeira, havia no bom sentido da palavra, alguém para ser aproveitado no recomeço de uma nova história. Desse modo, Deus, usando de misericórdia deu a Noé um mundo novo e totalmente limpo por causa de sua Justiça. O mesmo ele fará conosco, Sua Igreja. Ele purificará esse mundo perverso e nos entregará um novo céu e uma nova terra (Ap 21.1,4-7).  
3.3 O valor eterno
Jamais devemos pensar no dilúvio como um mero evento natural, mas uma intervenção divina com propósitos eternos. Alguns cientistas atribuem ao dilúvio meras causas naturais removendo consequentemente a intencionalidade Divina. Ao salvar Noé e sua família Deus estava recomeçando a humanidade inteira, pois por ela repovoaria o mundo. Foi através de Noé e de Sem, que Deus estabeleceu a linhagem pela qual viria o Messias (Lc 3.36). Fica nítido que a corrupção geral humana foi uma tentativa de satanás frustrar a vinda do Messias. O dilúvio foi, portanto, a reação Divina para manter a sua palavra e seu plano de salvação, nisto reside o eterno valor da salvação. A justiça de deus trouxe o dilúvio e também não poupou os anjos que se rebelaram contra Deus. Assim, deus os prendeu em prisões reservando os para o juízo final (2Pe 2.4-5).

CONCLUSÃO
O dilúvio foi o antídoto para curar a perversão da humanidade; Durante cento e vinte anos ele trabalhou para garantir a salvação da raça humana, representada apenas por oito pessoas. Noé foi o milagre de Deus para aqueles últimos dias. Deus quer que façamos o mesmo em nosso tempo.

Questionário

1.1-   Qual o meio encontrado por Deus para tratar aquele mundo imperdoável?
2.2-  O que sentiu o Senhor ao ver uma corrupção generalizada?
3.3-    Para curar a perversão da humanidade que antídoto Deus usou?
4.4-    A salvação de Noé consistiu em obedecer a quê?
55-   A arca é um símbolo de quem?
Fontes:
Bíblia Sagrada – Concordância, Dicionário e Harpa - Editora Betel.
Revista: Milagres do Antigo Testamento – Editora Betel - 4º Trimestre 2014

Comentário Matthew Henry
A Previsão do Dilúvio
Aqui realmente se torna aparente que Noé achou graça aos olhos do Senhor. A generosidade de Deus para com Noé foi claramente indicada naquilo que o adorável Senhor disse a respeito dele, w. 8-10. Ali, o nome de Noé é mencionado cinco vezes em poucas linhas, quando uma vez poderia ter servido para deixar claro o sentido. Era como se o Espírito Santo sentisse prazer em perpetuar a memória deste servo do Senhor. Mas isso se torna muito mais aparente no que o Senhor lhe diz nestes versículos - as informações e instruções que aqui lhe são dadas.
Aqui Deus faz de Noé o seu homem de confiança, comunicando-lhe o seu propósito de destruir este mundo iníquo pela água. Posteriormente, o bendito Senhor agiu de uma forma parecida, revelando a Abraão a sua decisão a respeito de Sodoma (cap. 18.17: Ocultarei eu a Abraão o que faço?). Portanto, era como se o Senhor aqui dissesse: “Ocultarei eu a Noé o que faço, visto que ele certamente virá a ser uma grande nação?”. Note que o segredo do Senhor é para aqueles que o temem (SI 25.14). Ele era conhecido pelos seus servos, os profetas (Am 3.7) através de um espírito de revelação que os informava, particularmente, sobre os seus propósitos. O segredo do Senhor é manifestado a todos os crentes através de um espirito de sabedoria e de fé, que lhes capacita a entender e aplicar as declarações gerais da Palavra escrita, e as advertências nela concedidas. Neste ponto:
1. Deus revelou a Noé, sem entrar em detalhes, que iria destruir o mundo (v. 13): O fim de toda carne é vindo perante a minha face. Eu os destruirei. Em outras palavras, a destruição deste mundo maligno está decretada e determinada. É vinda, isto é, ela virá certamente, e virá rapidamente. E provável que Noé, pregando aos seus vizinhos, os tivesse avisado, em geral, sobre a ira de Deus que eles trariam sobre si mesmos devido às iniquidades que praticavam, e agora Deus apoia os seus esforços através de uma declaração especial de ira, para que Noé pudesse testar se isso produziria algum efeito neles. Portanto, observe: (1) Que Deus confirma as palavras dos seus mensageiros, Isaías 44.26. (2) Que para aquele que tem, e usa o que tem para o bem dos outros, mais lhe será dado, até mesmo na forma de instruções mais completas.
2. O bendito Senhor lhe revelou, particularmente, que iria destruir o mundo por meio de um dilúvio de águas: Veja que Eu, Eu mesmo, trago um dilúvio de águas sobre a terra, v 17. Deus podia ter destruído toda a humanidade através da espada de um anjo, uma espada flamejante girando para todos os lados, assim como destruiu todos os primogênitos dos egípcios e o acampamento dos assírios. E então não era preciso mais do que colocar um sinal sobre Noé e sua família, para a preservação destes. Mas Deus opta por fazer isso por meio de um dilúvio de águas, que deveria deixar o mundo submerso. Os motivos, nós podemos estar certos, eram sábios e justos, embora desconhecidos para nós. Deus possui muitas flechas em sua aljava, e Ele pode usar aquela que lhe aprouver: como aquele que escolhe a vara com a qual punirá os seus filhos, assim Ele escolhe a espada com a qual eliminará os seus inimigos. Observe a forma da expressão no idioma inglês: “Eu, Eu mesmo, trago um dilúvio. Eu que sou infinito em poder, e por isso posso fazê-lo. Eu, que sou infinito em justiça, e por isso o farei”. (1) Isso expressa a certeza do julgamento: Eu, Eu mesmo, o farei. Isso não pode efetivamente ser feito a não ser que o próprio Deus se responsabilize por fazê-lo. Veja Jó 11.10. (2) Aqui fica indicada a inclinação disso em favor da glória de Deus, e a honra de sua justiça. Desse modo, Ele será engrandecido e exaltado na terra, e todo o mundo saberá que Ele é o Deus a quem pertence a vingança. Creio que a expressão aqui é mais ou menos como esta, Isaías 1.24: Ah! Consolar-me-ei acerca dos meus adversários. Aqui Deus faz de Noé o homem do seu concerto, outra perífrase hebraica para amigo (v. 18): Mas contigo estabelecerei o meu concerto. 1. O concerto da providência de que o curso da natureza prosseguiria até o fim dos tempos, não obstante a suspensão que o dilúvio lhe traria. Essa promessa foi diretamente feita a Noé e seus filhos, cap. 9.8ss. Eles eram como depositários para toda esta parte da criação, e uma grande honra fora, através disso, colocada sobre ele e os seus. 2. O concerto da graça para que Deus fosse o seu Deus, e que de sua semente Deus tiraria para si mesmo um povo. Note que:
(1) Quando Deus faz um concerto, Ele o estabelece, o garante, e o cumpre. Os seus concertos são eternos. (2) O concerto da graça tem, em si, a recompensa por serviços singulares, e é a fonte e o fundamento de todas as benevolências especiais para compensar aquilo que perdemos por amor a Deus, ou para criar uma felicidade para nós em Deus. Assim, não precisamos desejar mais do que ter o seu concerto firmado conosco.
Aqui Deus torna Noé um marco de bondosa misericórdia, ao colocá-lo em uma condição de se proteger do dilúvio que se aproxima, para que ele não perecesse com o resto do mundo: Os desfarei, diz Deus, com a terra, v. 13. “Mas faze para ti uma arca. Eu tomarei o cuidado necessário para te manter vivo”. Note que as devoções singulares serão recompensadas com redenções especiais, que são, de maneira especial, obsequiosas. Isso acrescentará muito à honra e à felicidade dos santos glorificados, de modo que eles serão salvos enquanto a maior parte do mundo for deixada para perecer. Neste ponto:
1. Deus orienta Noé a fazer uma arca, w. 14-16. Essa arca era como o casco de um navio, adaptada não para navegar sobre as águas (não havia razão para isso, pois não haveria nenhuma costa para onde navegar), mas para flutuar sobre as águas, esperando que a maré decrescesse. Deus podia ter protegido Noé com a ajuda de anjos, sem colocá-lo em situações que exigissem dele cuidado, esforço ou preocupação. Mas o precioso Senhor escolheu empregá-lo na criação daquilo que tinha a finalidade de ser o meio de sua preservação, tanto para testar a sua fé e obediência quanto para nos ensinar que ninguém será salvo por Cristo a não ser apenas aqueles que trabalharem por sua própria salvação. Nós não podemos fazer isso sem Deus, e Ele não o pode fazer sem nós. Tanto a providência quanto a graça de Deus reconhecem e recompensam os esforços daqueles que são obedientes e diligentes. Deus deu a Noé instruções muito específicas com respeito a essa construção, que só poderia ser admiravelmente bem adequada para o seu propósito se a própria Infinita Sabedoria fosse o seu arquiteto. (1) Ela deve ser feita de madeira de Gofer. Noé, indubitavelmente, sabia qual era esse tipo de madeira, embora nós agora não saibamos se cedro, ou cipreste, ou qual outra. (2) Do lado de dentro, ele deve construir três andares. (3) Ele deve dividi-la em compartimentos, com divisórias, lugares adequados para vários tipos de criaturas, para não desperdiçar espaço. (4) As dimensões exatas foram fornecidas a Noé, para que ele pudesse construí-la de forma proporcional, e que nela pudesse haver aposentos suficientes para atender a sua finalidade, e nada mais. Note que aqueles que trabalham para Deus devem receber dele as suas medidas e observá-las cuidadosamente. Note, além disso, que é conveniente que aquele que designa a nossa habitação deva estabelecer as fronteiras e os limites desta. (5) Ele a cobrirá com betume por dentro e por fora - por fora, para escoar a chuva, e para impedir a água de se infiltrar - por dentro, para diminuir o mau cheiro dos animais quando mantidos em recinto fechado. Observe que Deus não ordena que ele a pinte, mas que a cubra com betume. Se Deus nos dá habitações que são seguras, aquecidas e saudáveis somos obrigados a lhe ser gratos, mesmo que estas não sejam magníficas ou as mais belas. (6) Noé deve construir uma pequena janela no topo para deixar entrar a luz, e (pensam alguns) para que através dessa janela ele possa contemplar as destruições que serão infligidas à terra. (7) Ele deve fazer uma porta em um dos lados da arca, para que possa entrar e sair através dela.
2. Deus promete a Noé que ele e sua família serão mantidos vivos na arca (v 18): Tu entrarás na arca. Note que nós mesmos teremos o conforto e o benefício daquilo que fizermos em obediência a Deus. Se fores sábio, para ti sábio serás. Não apenas ele próprio estava a salvo na arca, mas a sua esposa, os seus filhos, e as esposas de seus filhos. Observe: (1) O cuidado dos bons pais. Eles são cuidadosos não apenas com a sua própria salvação, mas com a salvação de suas famílias, e especialmente de seus filhos. (2) A felicidade daqueles filhos que têm pais tementes e obedientes ao Senhor. A devoção de seus pais frequentemente alcança uma salvação temporária para eles, como vemos aqui. E ela os favorece no caminho para a salvação eterna, se eles aproveitarem o seu benefício.
Aqui Deus torna Noé uma grande benção para o mundo, e nessa narrativa faz dele um destacado modelo do Messias, embora não o próprio Messias, como seus pais esperavam, cap. 5.29. 1. Deus fez dele um pregador para os homens daquela geração. Como um atalaia, ele recebeu a palavra da boca de Deus, para que pudesse lhes dar o aviso, Ezequiel -3.17. Desse modo, enquanto a longanimidade de Deus esperava, através de seu precioso Espírito, Noé pregava para o mundo antigo, que no texto que Pedro escreveu foi referido como espíritos em prisão (1 Pe 3.18-20). E aqui Noé era um símbolo de Cristo, que, em uma terra e em uma época em que toda carne havia corrompido o seu caminho, continuou pregando o arrependimento e avisando os homens da chegada do dilúvio da ira. 2. Deus fez dele um salvador para as criaturas inferiores, para impedir suas várias espécies de perecer e de se perderem no dilúvio, w. 19- 21. Essa era uma grande honra conferida a Noé que não apenas nele a raça humana devesse ser preservada, e que dele se originasse um novo mundo, a igreja, a alma do mundo e o Messias, a cabeça daquela igreja. Mas que ele fosse providencial para preservar as criaturas inferiores, e, portanto nele a humanidade alcançasse um novo atributo para si e para os seus serviços. (1) Noé deveria fornecer abrigo para eles, para que não se afogassem. Dois de cada espécie, macho e fêmea, ele deveria levá-los consigo na arca. E para que ele não encontrasse qualquer dificuldade em reuni-los, e fazê-los entrar na arca, Deus promete (v. 20) que eles viriam a ele por iniciativa própria. Aquele que faz com que o boi conheça o seu dono e o seu estábulo, faz, então, com que os animais conheçam o seu protetor e a sua arca. (2) Noé deveria fornecer comida para eles, para que não tivessem fome, v. 21. Ele deve abastecer a sua arca, de acordo com o número de sua tripulação, aquela grande família sobre a qual agora ele tinha a responsabilidade, e de acordo com o tempo designado para o seu confinamento. Aqui Noé também era um símbolo de Cristo, a quem é devida a existência do mundo, de quem todas as coisas dependem, e que impede a humanidade de ser totalmente liquidada e destruída pelo pecado. Nele a semente sagrada está a salvo, e viva, e a criação está livre da vaidade sob a qual ela geme. Noé salvou aqueles a quem ele comandaria, e isto é o que Cristo faz, Hebreus 5.9.
O cuidado e a diligência de Noé ao construir a arca podem ser considerados: 1. Como uma consequência de sua fé na Palavra de Deus. Deus lhe havia dito que, em breve, iria inundar o mundo. Noé creu nisso, temeu a ameaça do dilúvio, e, com esse temor preparou a arca. Note que nós deveríamos misturar a fé com a revelação que Deus fez sobre a sua ira contra toda a iniquidade e injustiça dos homens. As ameaças da Palavra não são alarmes falsos. Muitas coisas poderiam ter sido alegadas contra a credibilidade desse aviso dado a Noé. “Quem podia acreditar que o sábio Deus, que criou o mundo, pudesse tão cedo destruí-lo. Que aquele que havia removido as águas para fora da terra seca (cap. 1.9,10) faria com que elas a cobrissem novamente? Como é que isso poderia ser reconciliado com a misericórdia de Deus, que está acima de todas as suas obras? Como se poderia crer, especialmente, que as criaturas inocentes deveriam morrer pelo pecado do homem? De onde poderia vir tanta água suficiente para inundar o mundo? E, se deve ser assim, por que deveria o aviso a respeito disso ser dado apenas a Noé - Mas a fé de Noé triunfou sobre todas essas argumentações deturpadas. 2. Como um gesto de obediência às ordens de Deus. Se Noé tivesse se aconselhado com a carne e com o sangue, muitas objeções teriam sido levantadas contra isso. Erguer uma construção como aquela, tão grande como ele nunca vira, e de dimensões tão exatas, requereria dele um grande cuidado, trabalho, e sacrifício. Seria um trabalho que tomaria tempo. A impressão era que levaria muito tempo para se realizar. Seus vizinhos o ridicularizavam por sua credulidade, e ele era o tema da canção dos embriagados. Sua construção era chamada de “A loucura de Noé”. Se o pior acontecesse, como se diz, todos estaríamos no mesmo barco. Mas estas, e milhares de outras dificuldades, Noé superou através da fé. A sua obediência era pronta e decidida: Assim agia Noé, de boa vontade e com ânimo, sem resmungar nem discutir. Deus diz: Faça isto, e Noé o faz. Noé era também detalhista e perseverante: ele fazia tudo, exatamente de acordo com as instruções que lhe eram dadas, e, tendo iniciado a construção, não parou até que a tivesse terminado. Assim ele fez, e assim nós devemos fazer. 3. Como um exemplo do bom senso para consigo mesmo, cuidando, dessa forma, de sua própria segurança. Ele temia o dilúvio e, por isso, preparou a arca. Note que quando Deus alerta sobre os julgamentos que se aproximam, é uma atitude de bom senso e de dever de nossa parte nos prepararmos da melhor maneira possível. Veja Êxodo 9.20,21; Ezequiel 3.18. Devemos nos preparar para nos encontrar com o Senhor em seus julgamentos na terra, correndo para o seu nome como para uma torre forte (Pv 18.10). Devemos entrar em nossos quartos (Is 26.20,21), preparando-nos especialmente para encontrá-lo na morte, no julgamento do grande dia. Devemos edificar a nossa vida sobre Cristo, a Rocha (Mt 7.24). E devemos ir a Cristo, que é a Arca da salvação.
4. Como um alerta direcionado a um mundo indiferente. E era um alerta claro do dilúvio que estava a caminho. Cada golpe de seus machados e martelos era um chamado ao arrependimento, um chamado para que eles também preparassem arcas. Mas, como Noé não conseguiu convencer o mundo através dela, ele condenou o mundo através dela, Hebreus 11.7.
Capítulo 7
Neste capítulo, temos a realização do que fora previsto no capítulo anterior, tanto no que se refere à destruição do antigo mundo e à salvação de Noé. Pois podemos ter a certeza de que nenhuma Palavra de Deus cairá por terra. Ali, nós deixamos Noé ocupado com sua arca, e cheio de cuidados com a tarefa de concluí-la a tempo, enquanto o restante de seus vizinhos ria dele por causa de seus esforços. Agora, aqui, vemos qual foi o fim de tudo aquilo, o objetivo dos cuidados dele e o fim da indiferença deles. E este famoso período do antigo mundo, nos dá uma ideia do estado das coisas quando o mundo que agora existe for destruído pelo fogo, assim como aquele foi destruído pela água. Veja 2 Pedro 3.6,7. Neste capítulo temos: I.
O generoso chamado de Deus para Noé entrar na arca (v. 1), e trazer as criaturas que seriam preservadas vivas junto com ele (w. 2,3), em consideração ao dilúvio que estava prestes a acontecer, v. 4. II. A obediência de Noé à sua visão celestial, v. 5. Quando ele estava com seiscentos anos, entrou, com a sua família, na arca (w. 6,7), e levou as criaturas consigo (w. 8,9), um relato que é repetido (w. 13-16) e no qual é acrescentado o tratamento cuidadoso de Deus para fechar a porta pelo lado de fora. III. A chegada do dilúvio que havia sido predito (v. 10). Suas causas (w. 11,12): a prevalência deste, w. 17- 20. IV A terrível desolação que foi causada por esta calamidade: a morte de toda criatura vivente sobre a terra, exceto daquelas que estavam na arca, w. 21-23. V Seu prosseguimento em meio a um mar de águas, antes que a maré começasse a baixar: cento e cinquenta dias, v. 24.
Noé É Convidado a Entrar na Arca
Eis aqui: Um generoso convite a Noé e sua família para um lugar seguro, agora que a completa inundação estava chegando, v. 1.
1. O chamado em si é muito gentil, como o de um pai carinhoso a seus filhos, para virem para dentro, quando vê a noite ou uma tempestade se aproximando: Entra na arca tu e toda a tua casa, aquela pequena família que tens. Observe que: (1) Noé não foi para dentro da arca até que Deus o convidasse. Embora soubesse que ela havia sido designada para ser o seu local de refúgio, ainda assim, ele aguardou uma renovação da ordem, e a recebeu. É muito reconfortante seguir o chamado da Providência e ver Deus caminhando à nossa frente a cada passo que damos. (2) Deus não o manda para dentro da arca, mas convida-o a entrar, indicando que iria com Noé, o conduziria para dentro dela, o acompanharia nela, e, no devido tempo, o levaria, em segurança, para fora dela. Note que onde quer que estejamos, é muito proveitoso ter conosco a presença de Deus, pois ela é o nosso maior consolo em todas as situações. Foi isto que fez da arca de Noé - que parecia uma prisão - não apenas um refúgio, mas um palácio. (3) Noé havia feito muitos esforços para construir a arca, e agora ele próprio era mantido vivo dentro dela. Note que através daquilo que fizermos em obediência às ordens de Deus, e na fé, nós próprios teremos com certeza o consolo, no princípio ou no final. (4) Não apenas Noé, mas também a sua casa. Sua esposa e filhos são chamados com ele para dentro da arca. Note que é bom pertencer à família de um homem devoto; é seguro e confortável viver sob tal proteção. Um dos filhos de Noé era Cam, que posteriormente se mostrou um homem mau. Mesmo assim ele foi poupado na arca, o que indica: [1] Que filhos iníquos muitas vezes experimentam o melhor, devido à consideração que o Senhor Deus tem pelos seus pais devotos. [2] Que há uma mistura do bom com o mau até mesmo nas melhores sociedades na terra, e não devemos considerar isto estranho. Na família de Noé havia Cam, e na família de Cristo havia Judas. Não há pureza perfeita neste lado do céu. (5) Esta chamada feita a Noé foi um modelo do chamado que o Evangelho faz aos infelizes pecadores. Cristo é uma arca já pronta, o único em quem conseguiremos estar a salvo quando a morte e o julgamento chegarem. Agora, o refrão da canção é: “Venha, venha”. A palavra diz: “Venha”. Os ministros dizem: “Venha”. O Espírito diz: “Venha, entre na arca”.
2. O motivo para esse convite é um testemunho muito honroso da integridade de Noé: Porque te hei visto justo diante de mim nesta geração. Observe que: (1) São justos, verdadeiramente, aqueles que são vistos como justos diante de Deus, que não têm somente o comportamento piedoso pelo qual parecem justos diante dos homens, que podem ser enganados com facilidade. Mas aqueles que têm o poder da piedade, através do qual eles se mostram reconhecidos por Deus, que busca o coração, e não pode ser enganado pela aparência dos homens. (2) Deus distingue e se apraz naqueles que são justos diante dele: Te hei visto. Em um mundo de pessoas iníquas, Deus conseguiu enxergar o único justo, Noé. Aquele único grão de trigo não podia ser perdido em um grande monte de refugo. O Senhor conhece aqueles que são seus. (3) Deus, que é uma testemunha da integridade do seu povo, em breve será uma testemunha a favor do seu povo. Aquele que tudo vê, o proclamará diante dos anjos e dos homens, para a honra imortal deles. Aqueles que alcançam a mercê de serem justos obterão o testemunho da sua integridade. (4) Deus fica, de uma forma especial, satisfeito com aqueles que são bons em tempos e locais ruins. Noé era, portanto, distintamente justo, pois o era naquela geração pecaminosa e adúltera. (5) Deus manterá a salvo em tempos de calamidade generalizada aqueles que se mantêm puros em tempos de iniquidade generalizada. Aqueles que não tomam parte com outros em seus pecados não compartilharão, com eles, os seus tormentos. Aqueles que são melhores do que os outros estão, mesmo nesta vida, mais a salvo do que os outros, e é melhor estar junto a estes. Neste ponto estão as ordens necessárias que foram dadas com respeito às criaturas irracionais que deveriam ser preservadas vivas junto com Noé na arca, w. 2,3. Eles próprios não eram capazes de receber o aviso e as orientações, como o homem, que aqui é mais instruído do que as bestas da terra e feito mais inteligente do que as aves do céu - pois ele é investido com o poder da previsão. Por isso, o homem é responsabilizado pela proteção deles. Estando sob seu domínio, eles devem estar sob a sua proteção. E, embora Noé não pudesse defender todos os indivíduos, ainda assim ele deveria preservar cada espécie, cuidadosamente, para que nenhum grupo, nem o menos importante, pudesse desaparecer por completo da criação. Observe nisto: 1. O cuidado de Deus para com o homem, seu consolo e seu benefício. Não notamos que Noé estivesse apreensivo consigo mesmo quanto a isso. Mas Deus se preocupa com a nossa felicidade, sim, mais do que nós mesmos. Embora Deus notasse que o mundo antigo era muito provocador, e antevisse que o novo seria pouco melhor, mesmo assim, Ele preservou os animais irracionais para o uso do homem. Tem Deus cuidado dos bois? 1 Coríntios 9.9. Ou, ao contrário, o seu cuidado não visava o benefício do homem? 2. Até mesmo os animais que não eram cerimonialmente limpos, que eram os menos valiosos e úteis, foram preservados vivos na arca. Pois os cuidados afetuosos de Deus são sobre toda a sua obra, e não apenas sobre aquelas que são mais eminentes e úteis. 3. Todavia, mais animais cerimonialmente limpos do que não limpos foram preservados. (1) Porque os limpos tinham mais utilidade para o homem. E, por isso, em benefício do homem é que mais deles foram preservados e ainda são multiplicados. Graças a Deus que não existem manadas de leões, como existem de bois, nem rebanhos de tigres, como há de ovelhas. (2) Porque os limpos eram para o sacrifício a Deus. E, por isso, em glória a Ele, mais desses foram preservados: três pares para procriação, e o sétimo excedente para sacrifício, cap. 8.20. Deus nos dá seis por um em coisas terrenas, como na distribuição dos dias da semana, para que, nas coisas espirituais, sejamos completamente dedicados a ele. Aquilo que é dedicado à glória de Deus, e utilizado em seu serviço, é especialmente abençoado e aumentado.
Aqui é dado um aviso da agora iminente aproximação da inundação: Passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra, v. 4. 1. ‘Ainda se passarão sete dias antes que eu o faça”. Após os cento e vinte anos se esgotarem, Deus lhes concede um adiamento de mais sete dias, para mostrar como Ele é tardio a se irar, e que o ato de punir lhe é estranho. O Senhor também estava lhes dando mais algum tempo para que se arrependessem. Mas foi tudo em vão. Os homens não souberam aproveitar a preciosa oportunidade que estavam recebendo. Em sequência a todo o período de trégua, esses sete dias foram desperdiçados, pois não foram levados a sério pelos homens. Eles continuaram vivendo uma vida segura e carnal até o dia em que veio o dilúvio.
2. “Serão apenas sete dias”. Enquanto Noé lhes falava do julgamento distante, eles eram tentados a postergar o seu arrependimento, pois ainda levaria muito tempo para que a visão se cumprisse. Porém agora lhe é ordenado que diga a todos que o Senhor está à porta, que eles têm apenas mais uma semana para se submeterem, apenas mais um sábado para aproveitar, para verificar agora se este, por fim, os despertará para considerarem as coisas das quais dependia a sua paz. De outra forma, todo o bem logo seria ocultado de seus olhos. Porém é comum que aqueles que foram descuidados com as suas almas durante os anos em que tinham saúde, ao contemplarem a morte à distância, se mostrem completamente descuidados durante os dias, os sete dias de sua enfermidade, mesmo vendo que o seu fim se aproxima. Eles têm, corações endurecidos pelo engano do pecado.
O Dilúvio
Aqui está a pronta obediência de Noé às ordens que Deus lhe deu. Observe que: 1. Ele entrou na arca, ao ser informado de que a inundação viria após sete dias, embora provavelmente o sinal de sua aproximação ainda não fosse visível, não havendo nenhuma nuvem ameaçadora no horizonte, e nada que a indicasse. Ao contrário, tudo continuava sereno e claro. Pois, assim como ele preparou a arca pela fé no aviso de que a inundação viria, da mesma maneira, ele entrou nela pela fé no aviso de que ela viria rapidamente, embora ainda não percebesse o início da ação das causas secundárias. Em cada passo que dava, Noé se movia pela fé, e não pela razão. Durante estes sete dias, é provável que ele estivesse assentando a si e a sua família na arca e distribuindo as criaturas em seus diferentes compartimentos. Esta era a conclusão daquele manifesto sermão que ele, há muito tempo, vinha pregando aos seus vizinhos negligentes, o qual, seria de se pensar, podia tê-los despertado. Porém, não obtendo o objetivo desejado, isto fez com que o sangue deles fosse sobre as suas próprias cabeças. 2. Ele levou consigo toda a sua família: sua esposa, para ser sua companheira e consolo (embora pareça que, depois disso, ele não tenha tido filhos dela), seus filhos e as esposas de seus filhos, para que através deles, não apenas a sua família, mas o mundo da humanidade pudesse ser construído. Observe que embora os homens fossem reduzidos a um número tão pequeno, e fosse muito desejável ter o mundo rapidamente repovoado, ainda assim os filhos de Noé teriam, cada um, apenas uma esposa, o que fortalece o argumento contra ter muitas esposas. Desde o princípio deste novo mundo, se seguiu a monogamia: foi assim que Deus fez no início, e foi assim agora. Ele manteve a mesma regra em vigor. Apenas uma mulher para cada homem. Veja Mateus 19.4,8. 3. Os animais irracionais imediatamente entraram com ele. A mesma mão que, no início, os levou para que Adão lhes desse os seus nomes, agora os levava a Noé, para serem preservados. O boi conhecia agora o seu possuidor, e o jumento, a manjedoura de seu dono. Além disso, até as criaturas mais selvagens afluíram para ele. Porém o homem havia se tornado mais animalesco do que os próprios animais, e não tinha conhecimento, não entendia, Isaías 1.3.
Eis aqui:
1" A data deste grande evento. Isto está cuidadosa- JL mente registrado, para uma maior segurança da história.
1. Foi no 600° ano da vida de Noé, o que, pelos cálculos, parece ser 1.656 anos após a criação. Os anos do mundo antigo são contados, não pelos reinados dos gigantes, mas pela vida dos patriarcas. Os santos são de maior valor para Deus do que os príncipes. Os justos devem ser mantidos, permanente, em nossa memória. Noé era, agora, um homem muito velho, mesmo quando se considera a idade que os homens alcançavam naquela época. Note que: (1) Quanto mais vivemos neste mundo, mais vemos das misérias e calamidades dele; é por isso que se fala daqueles que morrem jovens como se o fato dos seus olhos não verem o mal que se aproxima fosse um privilégio, 2 Reis 22.20. (2) As vezes, Deus exercita os seus servos antigos com provas extraordinárias de paciência e obediência. Os mais velhos dos soldados de Cristo não devem ter esperança de serem dispensados de seu combate até que a morte os libere. Eles devem, ainda, se equipar com a sua armadura, e não se vangloriar como se a houvessem tirado.
2. O ano do dilúvio foi registrado. Lemos que ele ocorreu no segundo mês, no décimo sétimo dia do mês, o que é calculado como sendo aproximadamente o início de novembro. Deste modo, entendemos que Noé acabara de realizar uma colheita, com a qual abasteceu a sua arca.
As causas secundárias que concorreram para este dilúvio. Observe que:
1. Exatamente no mesmo dia em que Noé foi colocado na arca, a inundação teve início. Note que: (1) Os julgamentos desoladores não chegam até que Deus tenha providenciado a segurança do seu próprio povo. Veja cap. 19.22: Nada poderei fazer, enquanto não tiveres ali chegado. E também vemos (Ap 7.3) que os ventos são contidos até que os servos de Deus estejam selados. (2) Quando os homens bons são retirados, os julgamentos não estão distantes. Pois eles são afastados do mal que está para chegar, Isaías 57.1. Quando eles são chamados para as suas câmaras, escondidas na sepultura, ocultas no céu, então Deus sai do seu lugar para punir os iníquos, Isaías 26.20,21.
2. Veja o que foi feito naquele dia, naquele dia fatal para o mundo dos incrédulos. (1) As fontes do grande abismo se romperam. Talvez não tenha sido necessária uma nova criação de águas. Aquelas que já haviam sido criadas, no curso normal da providência, como bênçãos para a terra, eram agora, através de um ato extraordinário do poder divino, transformadas em sua destruição. Deus pôs os abismos em tesouros (SI 33.7), e agora Ele desmanchou esses depósitos. Assim como nossos corpos têm em si mesmos fluídos que, quando Deus permite, se tornam as sementes e fontes de doenças mortais, da mesma forma a terra tinha entranhadas em si essas águas que, ao comando de Deus, se levantaram e a inundaram. Deus havia, na criação, estabelecido barreiras e portas para as águas do mar, para que elas não tornassem a cobrir a terra (SI 104.9; Jó 38.9-11). E agora Ele apenas removeu esses antigos limites, montes e barreiras, e as águas do mar voltaram a cobrir a terra, assim como haviam feito no início, cap. 1.9. Note que todas as criaturas estão prontas para lutar contra o homem pecaminoso, e qualquer uma delas está apta a ser o instrumento de sua destruição, se Deus apenas retirar as restrições através das quais elas são refreadas durante o dia da sua paciência. (2) As janelas do céu foram abertas e as águas que estavam acima do firmamento foram derramadas sobre o mundo. Aqueles tesouros que Deus reteve até o tempo da angústia, o dia da peleja e da guerra, Jó 38.22,23. A chuva que comumente desce em gotas, naquele tempo veio em torrentes ou jatos, como eles os chamam nas índias, onde as nuvens são conhecidas por muitas vezes explodir, como eles dizem por lá, quando a chuva desce em uma torrente muito mais violenta do que jamais vimos nos maiores aguaceiros. Lemos (Jó 26.8) que Deus prende as águas em suas densas nuvens, e as nuvens não se rasgam debaixo delas. Mas agora, o laço era frouxo e a nuvem se rasgou, e chuvas caíram como nunca se viu antes nem depois, em tamanha abundância e com tamanha continuidade. A densa nuvem não estava - como normalmente acontece - saturada de umidade (Jó 37.11), desfazendo-se e enfraquecendo-se rapidamente, exaurindo-se desta forma. Mas as nuvens sempre voltavam, após a chuva, e o poder divino trazia novos reforços. Choveu, sem interrupção ou redução, quarenta dias e quarenta noites (v. 12), e isso ao mesmo tempo, sobre a terra inteira, não como às vezes, sobre uma cidade e não sobre a outra. Deus criou o mundo em seis dias, mas gastou quarenta dias para destruí-lo, pois o precioso Senhor é tardio para se irar. Mas, embora a destruição tenha vindo de uma forma lenta e gradual, ainda assim ela chegou com eficácia.
3. Nestas circunstâncias, aprendemos algumas lições: (1) Que todas as criaturas estão à disposição de
Deus, e Ele faz delas o uso que desejar, quer para correção, ou para a sua terra, ou para algum gesto de misericórdia, como Eliú fala da chuva, Jó 37.12,13. (2) Que Deus, muitas vezes, permite que aquilo que deveria ser para o nosso bem estar se torne uma armadilha, Salmos 69.22. Aquilo que geralmente é, para nós, um consolo e benefício, se transforma, quando Deus permite, em algum flagelo e em alguma praga para nós. Nada é mais necessário nem útil do que a água, sejam as fontes da terra como também as chuvas do céu. Mesmo assim, naquele momento nada era mais prejudicial, nem mais destrutivo: toda criatura é, para nós, aquilo que Deus faz com que ela seja para nós. (3) Que é impossível escapar dos justos julgamentos de Deus quando eles acontecem contra os pecadores com autoridade. Pois Deus pode armar tanto o céu como a terra contra eles. Veja Jó 20.27. Deus pode cercar os homens com os mensageiros de sua ira, de forma que, se eles olharem para o alto, sentirão horror e espanto. Se olharem para a terra, contemplarão angústia e escuridão, Isaías 8. 21,22. Quem, então, é capaz de ficar diante de Deus, quando Ele está furioso? (4) Nesta destruição do mundo antigo pela água, Deus deu uma amostra da destruição final do mundo, que agora acontecerá pelo fogo. Encontramos o apóstolo contrapondo um contra o outro, 2 Pedro 3.6,7. Assim como há águas sob a terra, da mesma forma o Etna, o Vesúvio e outros vulcões, proclamam para o mundo que há fogos subterrâneos também. E o fogo muitas vezes cai do céu. Muitas devastações são causadas por raios. Deste modo, quando o tempo predeterminado chegar, a terra e todas as obras que nela há serão destruídas entre esses dois fogos, assim como a enchente se levantou sobre o mundo antigo: tanto das fontes do grande abismo como também através das janelas do céu.
Aqui é repetido o que foi relatado anteriormente sobre a entrada de Noé na arca, com a sua família e as criaturas que foram designadas para a preservação. Neste momento:
As palavras são repetidas para a glória de Noé, cuja fé e obediência se mostraram aqui tão claramente, através das quais ele alcançou uma boa reputação e que neste relato parecia um favorito tão grande do Céu e uma bênção tão grande para esta terra.
Aqui se dá atenção aos animais entrando conforme a sua espécie, de acordo com a expressão utilizada na história da criação (cap. 1.21-25), para indicar que todas as espécies que foram criadas no princípio estavam sendo preservadas agora, e não em algum momento. E que esta preservação era como uma nova criação. Desta forma, pode-se dizer que uma vida notavelmente favorecida é - como foi naquela ocasião - uma nova vida.
Embora todas as inimizades e hostilidades entre as criaturas cessassem por ora - e as criaturas vorazes não só estivessem tão dóceis e controláveis a ponto do lobo e do cordeiro se deitarem juntos, mas tão estranhamente alterados a ponto do leão comer palha como um boi (Is 11.6,7) mesmo assim, quando terminou esta condição - este freio foi retirado e eles continuaram a agir como de costume. Pois a arca não alterou a constituição deles. Os hipócritas que alegam fazer parte da igreja, que exteriormente obedecem às leis desta arca, podem mesmo assim permanecer inalterados, e então mostrarão, uma hora ou outra, de que espécie são.
É acrescentado (e a circunstância merece a nossa atenção): O Senhor a fechou por fora, v. 16. Assim como Noé prosseguia em sua obediência a Deus, Deus também continuava em seu cuidado para com Noé. E neste ponto, parecia ser um cuidado muito especial. Pois o fechamento dessa porta estabelecia, adicionalmente, uma parede divisória entre ele e o mundo todo. Deus fechou a porta: 1. Para lhe dar segurança e mantê-lo a salvo na arca. A porta deveria ser bem fechada, para que as águas não invadissem e afundassem a arca, e muito forte para que nada exterior a derrubasse. Assim Deus criou Noé, da mesma maneira como Ele faz as suas jóias, Malaquias 3.17. 2. Para excluir todos os outros, e mantê-los de fora para sempre. Até aqui, a porta da arca se manteve aberta, e, se qualquer um deles, mesmo durante os últimos sete dias, tivesse se arrependido e crido, que eu saiba eles poderiam ter sido bem recebidos na arca, Mas agora a porta estava fechada e eles estavam excluídos de todas as esperanças de aceitação: pois Deus fechou e ninguém poderia abrir.
Há muito do nosso dever e privilégio evangélico para ser visto na preservação de Noé na arca. O apóstolo faz disto uma figura do nosso batismo, quer dizer, da nossa situação abençoada como cristãos, 1 Pedro 3.20,21. Observe, então: 1. É nosso nobre dever, em obediência ao chamado do Evangelho, através de uma fé viva em Cristo, entrar no caminho da salvação, o qual Deus providenciou para os infelizes pecadores. Quando Noé entrou na arca, ele abandonou a sua própria casa e terras. Assim devemos nós abandonar a nossa própria justiça e as nossas posses terrenas, sempre que elas entrarem em competição com Cristo. Noé deve, por algum tempo, se submeter ao confinamento e às inconveniências da arca, a fim de assegurar a sua preservação para um novo mundo. Assim, aqueles que aceitam a Cristo para serem salvos por Ele, devem negar a si mesmos, tanto nos sofrimentos quanto nos serviços que prestam ao Senhor. 2. Aqueles que vierem para a arca deverão trazer consigo tantos quantos puderem através de ensinos virtuosos, da persuasão e do bom exemplo. Donde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher (1 Co 7.16), como Noé salvou a dele? Em Cristo há lugar para todos aqueles que quiserem estar em sua doce presença. 3. Aqueles que pela fé aceitam a Cristo, que é a Arca da salvação, serão, pelo poder de Deus, guardados e mantidos como em uma fortaleza pelo poder de Deus, 1 Pedro 1.5. Deus colocou Adão no paraíso, mas não o prendeu. E assim o próprio Adão se desqualificou e causou a sua própria expulsão. Porém, quando o Senhor colocou Noé dentro da arca, Ele o prendeu. Da mesma forma, quando o precioso Deus traz uma alma a Cristo, Ele assegura a salvação dela: isto não está em nosso poder, mas nas mãos do Mediador. 4. A porta da benignidade logo será fechada para aqueles que agora não a levam a sério. Agora está em vigor a bondade e a longanimidade: batei e abrir-se vos á. Mas chegará o tempo em que a porta não se abrirá mais, Lucas 13.25.
Aqui nos é contado:
Por quanto tempo as águas estiveram subindo - quarenta dias, v. 17. O mundo profano, que não acreditava que isto pudesse acontecer, provavelmente tenha se persuadido, quando o fato aconteceu. Os incrédulos podem ter tido esperanças de que as águas logo diminuiriam e nunca chegariam ao extremo. Mas elas ainda cresciam e prevaleciam. Note que: 1. Quando Deus julga, Ele sobrepuja tudo e todos. Se Ele começar, Ele terminará. Seu caminho é perfeito, tanto em juízo como em misericórdia. 2. As abordagens e avanços graduais dos juízos de Deus, que são planejados para levar os pecadores ao arrependimento, são muitas vezes utilizados erroneamente pelos próprios pecadores, e o resultado é que eles se endurecem em sua arrogância e obstinação.
Até que ponto as águas cresceram: elas subiram tanto que não apenas as baixas regiões planas foram inundadas, mas - para fazer um trabalho garantido, e para que nada pudesse escapar - os topos das montanhas mais altas foram alagados - quinze côvados, ou seja, sete jardas e meia. Deste modo, em vão se esperaria a salvação nos outeiros e montanhas, Jeremias 3.23. Nenhuma das criaturas de Deus é tão alta, mas o seu poder pode se elevar muito acima delas. E o Senhor fará com que todos saibam que Ele os supera infinitamente naquilo em que se ensoberbecem. Talvez os altos das montanhas tenham sido sobrepujados pela força das águas - o que muito ajudou as águas a prevalecerem sobre elas - pois é dito (Jó 12.15) que o Senhor controla as águas e elas não apenas transbordam, mas transtornam a terra. Assim, o refúgio das mentiras foi varrido e as águas inundaram o esconderijo dos pecadores (Is 28.17), e é em vão que eles fogem para elas em busca de segurança, Apocalipse 6.16. Agora, as montanhas desapareceram e os montes foram removidos, e nada serviu a um homem exceto o concerto da paz, Isaías 54.10. Não há lugar na terra tão alto a ponto de colocar os homens fora do alcance dos julgamentos de Deus, Jeremias 49.16; Obadias 3,4. A mão de Deus alcançará todos os seus inimigos, Salmos 21.8. Observe com que precisão as águas são medidas (quinze côvados), não pelo prumo de Noé, mas pelo conhecimento Daquele que tomou a medida das águas, Jó 28.25.
O que aconteceu com a arca de Noé quando as águas subiram desse modo: Ela foi levantada sobre a terra (v. 17), flutuava e se movia sobre a superfície das águas, v. 18. Enquanto todas as outras edificações eram destruídas pelas águas e sepultadas sob elas, somente a arca subsistiu. Observe que: 1. As águas que demoliram todas as outras coisas, sustentaram a arca. Aquilo que para os incrédulos é um cheiro de morte para morte, para os crentes é um cheiro de vida para vida. 2. Quanto mais as águas cresciam, mais alto a arca era levantada em direção ao céu. Dessa forma, as aflições santificadas são promoções espirituais. E assim como as dificuldades abundam, as consolações abundam muito mais.
Eis aqui:
A destruição geral de toda carne pelas águas do dilúvio. Vinde e contemplai as desolações que Deus faz na terra (SI 46.8), e como Ele assenta monte sobre monte. A morte nunca triunfou desde a sua primeira aparição até este dia, como o fez então. Vem e vê a morte sobre o seu cavalo amarelo, e o inferno que a segue, Apocalipse 6.7,8.
1. Todo gado, aves e répteis, morreram, exceto os poucos que estavam na arca. Observe como isto é repetido: toda a carne expirou, v. 21. Toda aquela em cujas narinas estava o sopro da vida, de tudo que estava em terra seca, v. 22. Toda substância viva, v. 2-3. E por quê?
O homem só f'izera o mal e assim, de forma justa, a mão de Deus se levanta contra ele. Porém o que haviam feito as ovelhas? A esta pergunta, eu respondo: (1) Estamos certos de que Deus não lhes fez mal. Ele é o soberano Senhor de toda a vida, pois Ele é a sua única fonte e o seu único Criador. Ele, que as criou conforme lhe aprouve, podia desfazê-las quando lhe agradasse. E quem poderia lhe dizer: O que fazes? Será que o Onipotente não tem o direito de fazer aquilo que desejar com aqueles que lhe pertencem, e que foram criados para o seu deleite? (2) Deus, de maneira admirável, serviu o propósito de sua própria glória através da destruição, bem como da criação deles. Neste ponto, a sua santidade e justiça foram muito engrandecidas. Parece, por conta disso, que Ele odeia o pecado, e está altamente descontente com os pecadores, quando até mesmo as criaturas inferiores, por servirem ao homem e serem parte de suas posses, e por terem sido corrompidas para servir ao pecado, são destruídas com o homem. Isto torna o julgamento ainda mais extraordinário, mais terrível e, consequentemente, ainda mais expressivo da ira e da vingança de Deus. A destruição das criaturas foi a sua libertação da servidão da corrupção, por cuja libertação toda a criação agora geme, Romanos 8.21,22. Este foi, da mesma maneira, um exemplo da sabedoria de Deus. Assim como as criaturas foram criadas para o homem, quando ele foi criado, elas também foram multiplicadas para ele, quando ele se multiplicou. Portanto, agora que a humanidade fora reduzida a um número tão pequeno, era adequado que os animais fossem proporcionalmente reduzidos, caso contrário, eles teriam o domínio e teriam repovoado a terra, e o restante da humanidade que sobrara teria sido sobrepujado por eles. Veja como Deus levou isto em conta em outra situação, Êxodo 23.29: Para que... as feras do campo se não multipliquem contra ti.
2. Todos os homens, mulheres, e crianças que estavam no mundo (exceto aqueles que estavam na arca) morreram. Todos (w. 21,23), e talvez eles fossem tão numerosos quanto são hoje sobre a face da terra, se não mais. Assim sendo: (1) Nós podemos facilmente imaginar quanto terror e consternação se apossaram deles quando se viram cercados. Nosso Salvador nos conta, que até no próprio dia em que o dilúvio veio, eles estavam comendo e bebendo (Lc 17.26,27). Eles estavam mergulhados em despreocupação e luxúria antes que fossem afogados naquelas águas, clamando por paz, paz para eles mesmos, que se fizeram de surdos e cegos para com todos os avisos divinos. Nessa situação, a morte os surpreendeu como em 1 Samuel 30.16,17. Mas, ó que assombro foi o deles, então! Agora eles vêem e sentem aquilo no que não creram e nem temeram, e são convencidos de sua loucura em uma ocasião em que é tarde demais. Agora eles não encontram nenhuma condição para arrependimento, embora a busquem cuidadosamente com lágrimas. (2) Nós podemos supor que eles tentaram todos os modos e meios possíveis para sua preservação, mas tudo foi em vão. Alguns sobem no topo das árvores ou das montanhas, e lá prolongam os seus terrores por algum tempo. Mas o dilúvio os alcança, finalmente, e eles são forçados a morrer tendo refletido ainda mais sobre o assunto. Alguns, é provável, agarram-se à arca, e esperam que aquilo que durante um longo tempo havia sido a sua diversão, possa agora ser a sua segurança. Talvez alguns tenham alcançado o teto da arca e conseguido se arranjar ali. Mas ou eles pereceram lá por falta de comida, ou, através de uma rápida queda, ou ainda um jato de chuva os tenha arrastado para fora daquele convés. Outros, é possível, esperavam persuadir Noé a permitir a sua entrada na arca, e alegavam que o conheciam há muito tempo: Não comemos e bebemos em tua presença? Não ensinastes em nossas ruas? “Sim”, Noé poderia dizer, “isso eu fiz, várias vezes, inutilmente. Eu clamei, e vós recusastes. Rejeitastes todo o meu conselho (Pv 1.24,25), e agora não está em meu poder vos ajudar: Deus fechou a porta, e eu não posso abri-la”. Assim será no grande dia. Alcançar uma posição de destaque na hierarquia religiosa, ou alegar ter um relacionamento com pessoas boas não poderá levar os homens ao céu, Mateus 7.22; 25.8,9. Aqueles que não forem encontrados em Cristo, que é a Arca, serão certamente destruídos, destruídos para sempre. A salvação em si não pode salvá-los. Veja Isaías 10.3. (3) Podemos supor que alguns daqueles que morreram no dilúvio ajudaram Noé, ou foram empregados por ele na construção da arca, e mesmo assim não foram tão sábios a ponto de, através do arrependimento, garantir para si um lugar nela. Desse modo os maus ministros, embora possam ter sido instrumentos para ajudar outros a alcançar o céu, serão lançados no inferno.

Façamos uma pausa por algum tempo e avaliemos esse espantoso julgamento! Deixemos os nossos corações meditarem sobre o terror, o terror dessa destruição. Que vejamos e digamos, É uma coisa terrível cair nas mãos do Deus vivo. Quem pode ficar diante dele quando Ele está zangado? Que vejamos e digamos: É uma coisa ruim e amarga afastar-se de Deus. Sem arrependimento, o pecado dos pecadores será a primeira ou a última causa de sua destruição. Deus sempre foi e sempre será verdadeiro. Ainda que junte mão a mão, ainda assim o mau não ficará sem castigo. O Deus justo sabe como trazer um dilúvio sobre o mundo dos ímpios, 2 Pedro 2.5. Elifaz recorre a essa história como um alerta permanente para um mundo indiferente (Jó 22.15,16): Porventura consideraste a vereda do passado, que pisaram os homens iníquos? Estes são os que foram arrebatados antes do seu tempo, e enviados para a eternidade, aqueles cujo fundamento foi submerso pelo dilúvio.

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